O que está por detrás dos testes clínicos que estão a ser desenvolvidos
A procura da cura para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) e para as patologias associadas ao HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) continua a motivar investigadores e empresas farmacêuticas.
Numa altura em que nos Estados Unidos da América, a ideia de recorrer ao crowd funding para desenvolver uma vacina contra o HIV gera polémica, a ViiV Healthcare Portugal está envolvida em estudos clínicos que envolvem um novo medicamento.
Em entrevista à Saber Viver, Inês Roxo, country manager da empresa, explica as vantagens do novo fármaco de combate à SIDA (aprovado na Europa nas primeiras semanas de 2014) e antecipa alguma da investigação que está a ser feita. «Estamos a investigar estratégias inovadoras e novas estratégias de utilização dos antirretrovirais já existentes», assume a responsável.
Quais são as novas características deste medicamento face aos restantes? Quais são os seus componentes químicos?
Em ensaios clínicos, o dolutegravir demonstrou ser eficaz nos diferentes tipos de doentes, nomeadamente doentes afetados pelo VIH não sujeitos a tratamento prévio (naïve), doentes sujeitos a tratamento prévio (experientes) e ainda os doentes sujeitos a tratamento prévio com fármacos da mesma classe (doentes previamente sujeitos a inibidores da integrase).
Nesses ensaios clínicos, o dolutegravir foi comparado com uma série de fármacos já disponíveis, nomeadamente raltegravir, darunavir e o medicamento que combina efavirenz, tenofovir e emtricitabine. Em termos de capacidade para suprimir o vírus do VIH, um regime contendo o dolutegravir foi estatisticamente superior ao raltegravir, em doentes sujeitos a tratamento prévio (experientes).
Foi estatisticamente superior ao medicamento que combina efavirenz, tenofovir e emtricitabine em doentes não sujeitos a tratamento prévio (naïve) e foi estatisticamente superior ao darunavir (potenciado com ritonavir) em doentes não sujeitos a tratamento prévio (naïve).
Qual é o seu mecanismo de ação?
O dolutegravir inibe uma enzima usada pelo vírus do VIH durante o seu ciclo de replicação, designada por integrase. Ao ligar-se ao local ativo da integrase, bloqueia o passo de transferência de cadeia do ciclo de replicação do VIH, impedindo o ADN viral de formar um novo vírus.
Até que ponto é que este fármaco melhora a qualidade de vida do portador do vírus? Quais foram os resultados de estudos laboratoriais realizados em doentes infectados?
O dolutegravir é um tratamento muito eficaz e, embora os medicamentos anti-VIH tenham vindo a melhorar nos últimos anos, sabemos que, com os medicamentos atualmente disponíveis, muitos doentes continuam a debater-se com efeitos secundários que têm um efeito real nas suas vidas.
Num estudo comparativo de um regime contendo o dolutegravir e o medicamento que combina efavirenz, tenofovir e emtricitabine, em doentes não sujeitos a tratamento prévio (estudo SINGLE), 2% dos doentes do grupo tratado com o dolutegravir descontinuaram o tratamento devido à ocorrência de acontecimentos adversos, quando comparado com 10% dos doentes do grupo tratado com o medicamento que combina efavirenz, tenofovir e emtricitabine.
fonte: SapoLifeStyle